quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Introdução a contabilidade de custos

Introdução à contabilidade de custos
A importância das informações contábeis para a operação bem-sucedida de uma empresa, incluindo dados sobre custos específicos, foi reconhecida há muito tempo. Entretanto, no atual ambiente da economia globalizada, essas informações são mais criticas do que nunca. Automóveis da Alemanha, equipamentos eletrônicos do Japão, sapatos da Itália e roupas da Tailândia são apenas alguns exemplos de produtos feitos no exterior que oferecem uma dura concorrência para os fabricantes do Brasil. Como resultado dessa pressão, as empresas hoje estão dando ênfase ao controle do custo em uma tentativa de manter os seus produtos competitivos.
A contabilidade de custos fornece os dados detalhados sobre os custos que a gestão precisa para controlar as operações e planejar para o futuro.
Todos os tipos de entidades necessitam de sistemas de informação de contabilidade de custos para contabilizarem suas atividades. Fabricantes convertem matérias primas em produtos acabados ao usarem mão de obra, tecnologia e instalações. Empresas de serviços, como linhas aéreas, arquitetos, cabeleireiros e dentistas vendem serviços ao invés de produtos.
A natureza do processo de manufatura exige que os sistemas de informações contábeis dos fabricantes sejam projetados para acumular dados detalhados sobre os custos relacionados com o processo de produção. Assim, a contabilidade é hoje reconhecida como sendo essencial para uma operação eficiente de qualquer que deseje ser competitiva.
O processo de manufatura envolve a conversão de matérias-primas em produtos acabados através do uso de mão de obra e vários outros recursos de fabrica. O fabricante precisa fazer um grande investimento em ativos físicos, como edifícios para a fabrica e tipos especializados de equipamentos e máquinas. Para executar o processo de manufatura, o fabricante precisa comprar quantidades apropriadas de matéria-prima, suprimentos e peças e criar uma força de trabalho para converter esses recursos em produtos acabados.
Além dos custos com materiais e mão-de-obra, o fabricante incorre em outros gastos no processo de produção. Muitos desses gastos, como depreciação, impostos, seguros e utilidades publicas, são parecidos aqueles incorridos por uma empresa de comercio. Outros custos, como a manutenção e reparo de maquinas, manuseio de materiais e preparação, programação e inspeção para a produção são singulares aos fabricantes. Uma vez que os produtos tenham sido fabricados e estejam prontos para a venda, o fabricante realiza as mesmas funções que a empresa comercial.
Os métodos de contabilidade para as vendas, despesas do produto vendido e despesas administrativas e de vendas são similares aquelas dos comerciantes.
Determinando custos e preços dos produtos
Procedimentos da contabilidade de custos oferecem o meio de determinar custos do produto e, assim, de gerar demonstrações financeiras significativas e outros relatórios relevantes para a gestão. Procedimentos de custos devem ser projetados para permitir a determinação de custos unitários, assim como os custos totais do produto. Por exemplo, o fato de um fabricante gastar R$ 10.000,00 de mão-de-obra em certo mês não é, em si, significativo; mas se essa mão-de-obra produziu 5.000 unidades de produtos acabados, o fato de que o custo da mão-de-obra foi de R$ 2,00 por unidade é significativo. Essa cifra pode ser comparada ao custo de mão-de-obra de outros períodos e, ate certo ponto, ao dos concorrentes.
Conceito da contabilidade de custos - É um ramo da contabilidade que aplicando os princípios fundamentais de contabilidade registra, acumula controla interpreta e analisa as variações patrimoniais ocorridas no ciclo operacional das entidades, na transformação de bens ou serviços em novos bens ou serviços, com o objetivo de gerar informações para a tomada de decisão do gestor.
A contabilidade de custos é uma parte da Contabilidade que utiliza métodos de custeio, técnicas de avaliação e escrituração, procedimentos de acumulação e controle de custos, que coordenados de forma integrada constituem os sistemas de custeio - os métodos como um conjunto dos meios a serem adotados para chegar a um resultado ou fim que se deseja; as técnicas para sistematizar os processos de uma arte, ofício ou ciência; os procedimentos são os atos a serem realizados ou os parâmetros para executar uma tarefa; maneiras de agir, de fazer alguma coisa; modo de alguém se portar na prática de qualquer intento; formas a que está sujeito o cumprimento dos atos e trâmites do processo.
No pensamento de LEONE “sistema é um conjunto de órgãos, meios, pessoas, fluxos, dados e operações que se articulam para promover o atingimento de um objetivo comum da melhor maneira, gastando o mínimo de recursos. No nosso caso o objetivo comum é a preparação de informações gerenciais úteis, oportunas e confiáveis”[1].
Assim, o objeto de estudo da contabilidade de custos são as modificações que ocorrem nos ativos das empresas, quer sejam elas industriais ou de serviços.
Os objetivos da contabilidade de custos podem variar de acordo com as necessidades dos gestores, segundo Leone[2] “os objetivos da contabilidade de custos são: a determinação do preço de venda, o planejamento e controle das operações e a tomada de decisão”.
Segundo MARTINS [3], os principais objetivos da contabilidade de custos são: avaliação de estoques e resultados, controle e decisão.
Segundo Koliver[4] a contabilidade de custos tem quatro grandes ordens de objetivos:
as apreensões e avaliações das variações patrimoniais qualitativas, por portador final de custos, evidenciando a primeira ordem de objetivos da contabilidade de custos;
as definições sobre as políticas de formações de preços de venda e apuração de resultados por portador final, configurando a segunda ordem de objetivos da contabilidade de custos;
o planejamento e controle das operações, conforme as bases e parâmetros definidos, visando a eficácia nos processos, produtos e serviços, caracterizando a terceira ordem de objetivos da contabilidade de custos; e,
as modificações nos processos de fabricação, alterações nas políticas de comercialização, investimentos e/ou desinvestimentos e análise de alternativas reais, possíveis ou simuladas, constituindo a quarta ordem de objetivos da contabilidade de custos.
O objetivo da contabilidade é acumular informações financeiras para serem usadas na tomada de decisões econômicas. A contabilidade financeira focaliza a coleta de informações a serem usadas na preparação de demonstrações financeiras que satisfazem as necessidades de investidores, credores e outros usuários externos das informações financeiras. As demonstrações incluem um Balanço Patrimonial, uma Demonstração de resultado, uma Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados e uma demonstração de Fluxo de Caixa ou Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos.
Elementos dos custos de Manufatura
Os custos de manufatura ou produção são classificados em três elementos básicos: materiais diretos, mão-de-obra direta e custos gerais de fabricação.
Materiais Diretos - são os materiais utilizados na produção de bens ou serviços quantificados e avaliados em relação ao portador de custos, tal classificação dependerá sempre da decisão da entidade em controlar tais recursos para um determinado produto ou processo, observados os resultados e objetivos do custo/benefício.
Mão-de-Obra Direta – são todos os insumos de recursos humanos envolvidos nos processos de produção para a obtenção de produtos ou serviços, que podem ser identificados, quantificados e avaliados individualmente nos portadores de custos, observados os motivos de controle, justificados pela relação custo/benefício.
Custos Gerais de Fabricação – são os custos decorrentes do ciclo operacional interno, que estão ligados aos processos de produção dos bens ou serviços, não inseridos nos materiais diretos ou na mão-de-obra direta. São classificados como diretos aqueles que a entidade julgar relevante na formação dos bens ou serviços, portanto, serão identificados, quantificados e avaliados individualmente, para cada portador de custos; e, como indiretos aqueles que não possuem relevância para justificar o controle individual, na identificação, quantificação e avaliação por portador de custos, em função da relação custo/benefício ou de outras variáveis.
Observamos que as classificações enunciadas acima, para a definição dos insumos de produção como custos diretos e indiretos dependem, em primeiro lugar, de uma decisão administrativa da entidade sobre o controle efetivo e quantificação na causação dos custos nos portadores finais, portanto, nenhum custo é direto ou indireto por natureza.
Seguindo esta mesma linha de pensamento é que utilizaremos custos gerais de fabricação ao invés de custos indiretos de fabricação, por entendermos que dentro destes existem custos que podem ser classificados como diretos ou indiretos dependendo sempre do fenômeno causal e da relação custo/beneficio para o seu controle e quantificação.
[1]LEONE, George S.G. Curso de Contabilidade de Custos. Manual do professor. Atlas, São Paulo. 1997, p.115
[2] [2]LEONE, George S. Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2000. p.21.
[3] MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos – Inclui o ABC. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1996.
[4] [4]KOLIVER, Olívio. Sobre os Objetivos da Contabilidade de Custos. Revista do CRCRS, Porto Alegre: (17)55:9-12, Jan./Mar. 1989.

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